As internets estão ligadas. Os Macromedias carregam e os olhos piscam os firewalls habilitados. O celular toca e as mãos correm em velocidade banda larga para atendê-lo. Não é chamada, apenas mensagem.
"So pra dar um oi e mandar bjs! :)"
Ela mora num prédio gradeado de esquina, a alguns quarteirões de distância. Poucos metros de cabo. Já não a vejo há alguns dias. Fez um logoff estratégico, tendo em vista a maximização de meu interesse por ela. Quer que eu a procure. Quer que eu aperte o botão verde de meu Motorola e faça pulsar a linha que nos separa, de corpo a corpo. Não percorro tais caminhos. Ela vai acabar fazendo um download até aqui, não é boba. Enquanto isso, me atualizo.
Bato um chat com amigos e envio youtubes aos tubos para que eles riam. Tudo animado por rsrsrsrsrsrsrs. Orkuto em busca de segredos alheios; ainda é cedo para dormir. Ela me espera em casa, talvez um upload até a praia, troca rápida de alguns files num banquinho mal iluminado qualquer, mas prefiro fuçar seus scraps e procurar indícios de algum trojan interessado na mulher alheia. Já disse a ela para colocar um "namorando" no perfil, mas gosta de me provocar spams com sua teimosia, diz que "ainda não é o momento".
Tenho muitos fãs e amigos. Preciso apenas me logar para vê-los. Conecto a buffer e assisto mídias em meu player. Mídias de bandas famosas, inclusive daquela que veio a minha cidade na semana passada. Não sei porque não fui ao show. Devo ter algum arquivo corrompido na minha cabeça.
Será que ela quer que eu vá até lá realmente? É noite de Domingo, amanhã tem aula cedo. Televisiono a situação. Melhor não. A pior coisa que existe é fazê-las achar que somos mouses em suas mãos. Não quero dar um demo de minhas fragilidades. Outro dia me disse que tinha sonhado comigo. Dei uma skype e mudei de assunto. É definitivo: não dou testimonials de meus sentimentos. Eles não são sharewares.
Tiro uma photoshop com a webcam bem alegrinha. Faço careta e dou tchauzinho. Retoco as imperfeições. Anexo a um email dizendo: "Amanhã nos vemos. Bjinhos, bonitinha!". Aperto o send e lá vai. Minhas pernas não cansam com essa viajem. É hora de dormir. Deixo o pc descansar e me deito na cama.
O celular pisca na escuridão do meu room e vibra longe. Deve ser ela. Continuo deitado. Por hoje é só, "amanhã nos vemos". Sinto megabytes de amor e, sorrinho, caio em modo sleep, tranquilo. O telefone desiste e silencia.
"Bjinhos, bonitinha".
E desconecto.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Que bom que voltou!
ResponderExcluirseguindo vc 'virtualmente' :P
ResponderExcluiradorei!!!
Ei, Rafael! Adorei o texto e o nome do blog, muito criativos!! Vai entrar pra minha lista dos "recomendo"!
ResponderExcluirEsse mundo virtual pode aproximar e afastar, né, depende muito de como o manejamos... Mas uma coisa é certa: difícil é não estar conectado!
Beijos!!
Gosto demais desse! =)
ResponderExcluir